"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Com honra e nenhum trunfo

Antes de se fazer presente, ele acena ao longe, a gente é que finge que não vê...
Ele envia todos os sinais que antecedem o ataque, e só depois ele joga a bomba... num ataque aéreo de palavras lâminas, de palavras sujas! A gente trava batalhas... a gente ofende, machuca, exige, asfixia, esfaqueia, grita, ignora, e quando não pode mais nada, a gente silencia, e vê que a solidão já está montada em seu cavalo branco, sorridente com uma vingança... 
O que antecede o último suspiro, é o sofrimento na mais alta instância, e é nesse momento que a gente precede o estrago em câmera lenta, com direito a  slow motion dos mais sofisticados...
A gente se machuca com lembranças, fere com o passado, amputa com saudade, e ofende as noites de amor passadas em claro.
O fim,  faz  lembrar o primeiro beijo dado com ênfase a luz do luar... faz recordar as mãos sempre quentes que acolhiam o corpo, as conversas intermináveis das madrugadas infinitas, faz Rememorar como cabeça e ombro se encaixavam perfeitamente, de como as mãos se davam, de como os corpos se doavam, de como compartilhavam sonhos... faz advertência da falta que fará as piadas proferidas num dia ruim só pra roubar um riso,  os 'bom dia' com sabor de café... Faz reviver a lembrança de como discutiam Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Goethe, Saint- Exupéry... De como esparramavam suas vidas num tagarelar de pretéritos, sem segredos, e como a barriga doía de tanto rir naquelas conversas...
O fim é cruel, faz lembrar o olhar bobo, de quando o coração batia tão forte que se podia escutar, faz recordar descobertas, as conversas afobadas... Faz lembrar de como eram quando existiam! Como na morte, que segundo dizem a gente vê um filme da vida, se relembra toda a história escrita nos corpos, desde o primeiro olhar...
Como o amor, ao surgir, é chamado de pequena morte, segundo Galeano, o fim do amor também o é. Mas, guerra é guerra! E quando há,  a gente não quer se render, não quer demonstrar o quão frágil é, não quer admitir que é nação vencida, não quer perder.. ninguém quer hastear a bandeira branca...O orgulho esquece que numa guerra, nunca há vencedores!
E de pares em pares, a vida nos faz um só!

sábado, 31 de março de 2012

Insulso

Tenho me escondido atrás da saudade
Brincado com o tempo ( que é ainda muito menino)
Buscado pores de sol dentro da alma
Procurado luas nos olhares
Contado estrelas e sono
Me perdido nas esquinas da lucidez
Cantado mágoas
Sentido sua ausência
Tenho perdido você!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao pó que da sombra se fez!


Esteve inundada com os sentimentos do mundo e não cabiam todos nela. Se deparou com as velhas perguntas sem respostas e o modo desprecavido como caiu na vida... quase só, quase sem ninguém! Se  apresentou as frustrações antigas, e todos os sins não vividos.. .

Aprendeu cedo, que se havia um meio de filtrar a vida, era deixando-a se esvair pelas veias... permitindo que escapasse ao corpo, às vezes aos olhos, a alma não!
 Deixou então o sentimento escoar pela caneta, gota a gota... E pensou que conseguia ser. Pensou na eternidade de sentimentos que  evaporam do corpo, que transpassam a lacuna do tempo e tomaram o pretérito por seu...

Permitiu que fosse, concedeu-se a queda, o grito, o desespero, a crise, retornou ao caos que sempre fora sua essência, regressou ao torpor de lágrimas, ao pranto, a dor, o ser, o só! Depois soluçou...

Há pouco mais de um mês, não encontrava sua sombra...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Luto III

Já o espreitava, e nem sabia
Não tinha tempo para pensa-la
Lá estava ela, olhando.. olhando...
cercando-o...

Foi na manhã de sexta-feira
Como quem nada quer
Ela foi se acomodando
Ele, vestindo-se dela
até o último suspiro

Vestiu a morte sem anúncio
O sábado cheirou a luto!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notas de desconcertos cismados


" Nada do que fomos vai sobreviver" -  Roberto Carlos




Ela foi embora, olhando pra trás... chorando! Ela foi lento, bem lento, quase não indo... mas foi! Estava com medo, muito medo do futuro e desacreditava  distâncias! Fingia que não era assim tão ruim... fingia que ia passar... Fingia que ficava! E se apegava ao tempo passado, e ia enfrentando o futuro enquanto o tempo ia passando... E fazia como dava.... o que podia pra ver, pra ouvir, pra falar! E  o tempo foi passando, passando, e mesmo  assim, longe, ainda construíam aventuras, histórias, conversas... Só que o tempo foi passando mais, e mais... e já não era tão necessário pensar, falar , ouvir. O tempo foi passando...  foi negando no presente, o passado. Ela foi construindo histórias e segredos, foi compartilhando o que dava e foi colando páginas! Foi ficando cada vez mais distante, com o olhar mais triste, e a alma mais despedaçada... Foi ficando estranha, estranha... distante... distante...

domingo, 18 de setembro de 2011

De antes...

Houve um tempo, antes desse tempo de agora, em que tudo parecia mais fácil, menos denso, mais calmo...
Conseguiria apontar todas as respostas num estalar de dedos, não havia nenhum porquê que  soasse complicado, pintava a simplicidade de todas as coisas com riso no coração e nas paredes...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Motim

Hoje trago meus humores, meus incêndios!
Meu corpo inflama a minha fé
E reflete minhas vigílias
Da retina à força
Do impulso à continência
Como se houvesse o que falta em mim

Hoje trago minha temperança afobada!
Meu tempo submisso
Um tempero a contragosto
E aquela lágrima serpeando um espaço
Procurando a luz dos meus olhos
E embaçando o que vejo

O dia tá cinza lá fora
A noite, agitada aqui dentro!

domingo, 15 de maio de 2011

Mal[amado]!

Nasceu Velho aquele amor! 
Mal respirou e parecia cansado, ranzinza... fraco! 
Nasceu sem ser amado, e com muita intimidade! 
Mãos que se atracam, cabeças que repousam, colo... e nada bastava-lhe! 
Tinha fome de desejo...
Os encontros roubavam-lhe tempo, mas nem sabiam...

terça-feira, 15 de março de 2011

Reminiscências...




Palpitou o coração! Haveis de se admirar com o tempo, que mesmo passando, não passou! O enternecer de cada palavra postada sem metades meteram-se adentro da alma, revigorando o pó que ali já jazia! Como tributo ao que se foi, ainda que não passado, dedico ao leitor cada palavra que segue: se te arrastar paixão igual, não esconda-a no peito, lhe roube o coração, o ar das mãos e trague seus lábios... Faça-se par!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Despedida




Meu tão bem que me faz
Vou lá fora vê o mundo
Meu corpo transpira por todos os poros rua


Guarde um sonho bom pra mim

Que volto logo

Antes que amanheça n'outro carnaval

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Faça-se a luz!

                                                       E a luz se fez nos olhos...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ESPECTRO

E agora quem és?
Nem o espelho te reconhece agora
De tanto revirar-se encontrou um avesso
Nem tão bom, nem tão pior
Mas nem eu te reconheço mulher!

Que fizeste contigo?
Nem mesmo perambulante
Foste te encontrar
De tanto procurar-se,
Destempero impetuoso,
Não quiseste nem tu te suportar

E agora mulher, que faço contigo?
Que usurpa a mim descaradamente
Me segue feito sombra
Se sois o que também sou
E a ti também rejeito!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Do Sonho

A vida é tudo isso
E tudo isso é essa constante fuga...

A manhã fez-se lenta e amarga
E ainda que todos lembrassem
para a sua felicidade
Desejava esquecer

Morria sempre
E sempre é cada dia
Se despia em cada linha

E os rastros que o tempo praguejara
traziam-na de volta a vida
para morrer mais uma vez

cada verso exposto
um sentimento parido
escreve para depois queimar

Daisy Araújo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Insônia

O sal da língua ainda é quente
O céu é  o mesmo de outrora
A ampulheta se inverteu
No peito há também vazio

A saudade do que virá
A nostalgia do que não foi
O perfume dos cabelos emaranhados
E a tristeza aguda

Pulsante o pulso
O corpo não
Apenas uma chama...

O pesar do maldito tempo sob os ombros
Uma brisa levíssima, um arrepio...
Nenhuma luz, nem café
Pó? Só dos sentimentos

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

[...]

Levaram as poesias
As músicas...
Os filmes...
Os livros...
As prosas...
As lembranças...
As imagens...
Alguns momentos...
Eu fiquei!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vital





O sabor da saliva e do céu
Precipitou  a dor da solidão
A alma não teceu verso algum
Não expulsou do peito a canção
O sangue pulsou na veia
A farsa despencou do décimo sexto
Amorticídio...