"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carta à embriaguez

 Retirado do blog de Erika Azzevedo - http://palavrearintenso.blogspot.com.html
Boa lua cheia senhora noite!

Boa minha luz, senhora embriaguez! Escrevo-lhe porque se hoje me apareceste, me tens e eu a ti! E hoje,  diante de quaisquer olhos não me encontraria mais viva, mais amante, mais "mim"!  Lhe escrevo, porque no fundo neste olhos amargos podes encontrar a pseudo felicidade, que somente  ébrios podem dispor! Hoje lhe escrevo sem razão, porque nesta noite de lua cheia me finjo feliz! Me sinto e me nego ! E gosto mais de mim que quaisquer outros dias! Relato a insensatez de você, porque nunca me senti mais lúcida que o instante agora... Eu vejo tudo aquilo que o álcool proporciona... Vejo pessoas felizes,  vejo pessoas mais elas... eu vejo mais mentira em tudo e que tudo, inclusive o álcool é uma grande mentira! Vejo tudo que surto e  vos agradeço o bem estar passageiro!

Erga-se mais um brinde, desta vez aos ébrios, nunca tão lúcidos!

Com amor e para sempre tua...

Amante.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Motim

Hoje trago meus humores, meus incêndios!
Meu corpo inflama a minha fé
E reflete minhas vigílias
Da retina à força
Do impulso à continência
Como se houvesse o que falta em mim

Hoje trago minha temperança afobada!
Meu tempo submisso
Um tempero a contragosto
E aquela lágrima serpeando um espaço
Procurando a luz dos meus olhos
E embaçando o que vejo

O dia tá cinza lá fora
A noite, agitada aqui dentro!

domingo, 17 de abril de 2011

Aqueles olhos...

Eu não saberia explicar o que foram aqueles olhos ... Eles chegaram doces e intensos desde o primeiro olhar! E falaram do sorriso e aí sorrimos juntos, e sentimos os labios num lampejo, quando não nos viamos ,só sentimos, penetraram  minh'alma e foram se fazendo em mim, e de mim o que bem quiseram, e quiseram muito! E me saquearam o coração, e se mantiveram fixos dentro de meus olhos. E se fizeram paixão,  se fizeram sonho, entardecer, colo, nuvem, sentimento... Se fizeram encanto, fantasia e do tempo, pó ! E todo tempo... pouco! Aí, partiram... e fizeram falta!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Procura-se Vivo ou morto: Tempo



           Havia muito tempo espalhado pela casa, em todos os lugares, onde quer que se olhasse, lá estava ele, imperioso, precavido, como que não faz nada.  Tempo comum, tempo simples, tempo morto, em todas as suas formas, com ou sem beleza. Vagava no ar, suspenso e passante, como que morria, como nem nascera. Fiz arte com o tempo, como se possa imaginar, e anexei na casa, prendi em vários lugares para que não fugisse, não escapasse, como se eu pudesse e controlasse. E assim foi. Quando me apercebi , já estava sem tempo de novo! Esgorregou de minhas mãos, como já havia de ser, antes mesmo que fosse.
Eu queria um tempo bem grande, tão grande que eu coubesse nele,  e não mais precisasse caber em mim. Nele coubesse tudo que eu sinto, tudo que eu vejo, e eu pudesse sentir mais, ver mais. Queria todo tempo, pelo tempo que eu quisesse, até não querer mais nada e procurar outro tempo noutro lugar, noutro espaço, noutro momento, até não ter mais lume em nenhuma estrela , nem em mim. Até adormecer a ultima quimera e não querer nenhum tempo nem o que não está em mim!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre o silêncio...

Diante do silêncio tudo cala! O que existe se não o silêncio interrompido? Toda  fala e toda escuta se acomodando entre pausas, entre vírgulas nem sempre silenciosas. Desvendar noutro o apelo gritante de todo silêncio que há em nós, em cada silêncio que nos revela. Compartilhar todo o não dito, na palavra e no silêncio!
E silenciar tudo que nos convém! O que  fazer quando há convêniencia? A gente chora o silêncio à força... força o choro e o silêncio... e silencia à força, o choro... Depois a gente cala o grito e forja o que não aconteceu! Olha a folha em branco, a tela vazia, o espaço negro e sorri amarelo! O silêncio é a melhor ideologia pra quem desconfia de si... Silenciemos pois!


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Reticências literais

Alguma
      coisa
             se perdeu
                      na noite...
"Noite Estrelada" de 1889-Van Gogh
                                                                                                           A
                                                         memória
                                                            não
                                                           ousa
                                                        silenciar...


Como um cachorro que ladra e  fosse lua cheia,
e a noite ficasse se eternizando num zumbido
desses que incomoda...

                               

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vital





O sabor da saliva e do céu
Precipitou  a dor da solidão
A alma não teceu verso algum
Não expulsou do peito a canção
O sangue pulsou na veia
A farsa despencou do décimo sexto
Amorticídio...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Náufrago




Nada se confunde com o áspero pensamento
Cada palavra repetida Torna-se única
Ainda que mil vez silenciada

O nó na garganta
O apelo da consciência
O arrepio conseqüente da lembrança

A própria tentação alojada
No mais secreto coração
O falso riso

Cada enternecer
O adoecer
O amor


Daisy Araújo.

Carreata da [não] fantasia


A poesia por um motivo qualquer
morreu temporariamente
assim como a balada da última noite de festa
não festiva
O fim do ciclo foi declarado
Estabelecido com o silêncio sempre constante
O espaço vago engoliu a última lagrima
À saboreou
Nada sobrou além do vazio
O titã da saudade e da espera...
As palavras libertas ao vento
Ao acaso e ao descaso
foram recolhidas para possível confinamento
Este, sem monitoramento,
regulamento ou intenção
Devem se perder no abismo do infinito
Da canção calada dentro da mente
Assim, com o desequilíbrio
Hão de se quebrar e se perder
O equilíbrio inevitável que trás o real, incomoda
Assusta...
Abusa e se lambuza
Na escuridão do infinito a qual o corpo esta entregue
E só a isso o corpo se entrega
Não dá mais pra fugir de si
Alcatraz sem fim
Como sempre metade
E como ilha... só !
Daisy Araújo

domingo, 31 de outubro de 2010

Estro




Há algum tempo e rondava esperançosa,girava em torno de mim, engraçando-se.Risonha, fitava-me e não havia nenhum tempo que me permitisse acentuá-la.

Eis que para os devidos fins, me propus trocar a ampulheta que segurava ou segurava-me ela( o que é mais provável).
Procurei a areia mais grossa pra que passasse mais devagar pelo estreito entre o que passou e o que virá. Procurei uma que, se quebrada, seus estilhaços não causassem tanto estrago.Bastava-me os que a outra causará,e foi inevitável, afinal, vivi!

Os estilhaços tocaram ferindo-me.E há de se confessar: marcaram o corpo, e tatuaram a memória...

Pois bem, uma a uma vieram-me as palavras que vos escrevo, expelidas diretamente de um coração, numa psicografia do que ainda não morreu, mas também não está tão vigoroso

Moribundo...Palpita! Palpita...e palpita!
Dizem que é questão de tempo, uma hora para!
Enquanto isso...
Abre aspas!


Daisy Araújo.