"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carta à embriaguez

 Retirado do blog de Erika Azzevedo - http://palavrearintenso.blogspot.com.html
Boa lua cheia senhora noite!

Boa minha luz, senhora embriaguez! Escrevo-lhe porque se hoje me apareceste, me tens e eu a ti! E hoje,  diante de quaisquer olhos não me encontraria mais viva, mais amante, mais "mim"!  Lhe escrevo, porque no fundo neste olhos amargos podes encontrar a pseudo felicidade, que somente  ébrios podem dispor! Hoje lhe escrevo sem razão, porque nesta noite de lua cheia me finjo feliz! Me sinto e me nego ! E gosto mais de mim que quaisquer outros dias! Relato a insensatez de você, porque nunca me senti mais lúcida que o instante agora... Eu vejo tudo aquilo que o álcool proporciona... Vejo pessoas felizes,  vejo pessoas mais elas... eu vejo mais mentira em tudo e que tudo, inclusive o álcool é uma grande mentira! Vejo tudo que surto e  vos agradeço o bem estar passageiro!

Erga-se mais um brinde, desta vez aos ébrios, nunca tão lúcidos!

Com amor e para sempre tua...

Amante.

sábado, 2 de abril de 2011

I

Café gelado à mesa
Coração posto em bandeja
Que me tomem numa colher de sopa
Pois eis que já não há razão

Tome para si as verdades minhas
Mas não acredite em todas elas
Há sempre riscos ...
Vez outra, lê-se errado!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ESPECTRO

E agora quem és?
Nem o espelho te reconhece agora
De tanto revirar-se encontrou um avesso
Nem tão bom, nem tão pior
Mas nem eu te reconheço mulher!

Que fizeste contigo?
Nem mesmo perambulante
Foste te encontrar
De tanto procurar-se,
Destempero impetuoso,
Não quiseste nem tu te suportar

E agora mulher, que faço contigo?
Que usurpa a mim descaradamente
Me segue feito sombra
Se sois o que também sou
E a ti também rejeito!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Atando pontos...

Olhou-me nos olhos a criança. Depois dum longo silêncio, perguntei-lhe:
- Você, que mais deseja da vida?
Nem mesmo procurou palavras no ar... assim, num piscar, apressou-se em responder. Pude ver quão radiante mostrou-se seu semblante. Atropeladas e com toda inquietação, seguiram-se estas:
- Quero ser adulto! E logo! Criança não pode fazer nada... Adulto pode tudo!
Silênciei novamente, dessa vez com certo ar de preocupação. A criança seguiu:
- E você, que mais deseja nessa vida?! -perguntou-me com sorriso largo.
Desviei o olhar, não escondi a melancolia e também não escolhi palavras...
- Eu ?! Queria ser criança...- respondi num suspiro lento-  Quando o fui podia tudo, só não sabia...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sobre o silêncio...

Diante do silêncio tudo cala! O que existe se não o silêncio interrompido? Toda  fala e toda escuta se acomodando entre pausas, entre vírgulas nem sempre silenciosas. Desvendar noutro o apelo gritante de todo silêncio que há em nós, em cada silêncio que nos revela. Compartilhar todo o não dito, na palavra e no silêncio!
E silenciar tudo que nos convém! O que  fazer quando há convêniencia? A gente chora o silêncio à força... força o choro e o silêncio... e silencia à força, o choro... Depois a gente cala o grito e forja o que não aconteceu! Olha a folha em branco, a tela vazia, o espaço negro e sorri amarelo! O silêncio é a melhor ideologia pra quem desconfia de si... Silenciemos pois!


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Reticências literais

Alguma
      coisa
             se perdeu
                      na noite...
"Noite Estrelada" de 1889-Van Gogh
                                                                                                           A
                                                         memória
                                                            não
                                                           ousa
                                                        silenciar...


Como um cachorro que ladra e  fosse lua cheia,
e a noite ficasse se eternizando num zumbido
desses que incomoda...

                               

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

[...]

Levaram as poesias
As músicas...
Os filmes...
Os livros...
As prosas...
As lembranças...
As imagens...
Alguns momentos...
Eu fiquei!