"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Notas de desconcertos cismados


" Nada do que fomos vai sobreviver" -  Roberto Carlos




Ela foi embora, olhando pra trás... chorando! Ela foi lento, bem lento, quase não indo... mas foi! Estava com medo, muito medo do futuro e desacreditava  distâncias! Fingia que não era assim tão ruim... fingia que ia passar... Fingia que ficava! E se apegava ao tempo passado, e ia enfrentando o futuro enquanto o tempo ia passando... E fazia como dava.... o que podia pra ver, pra ouvir, pra falar! E  o tempo foi passando, passando, e mesmo  assim, longe, ainda construíam aventuras, histórias, conversas... Só que o tempo foi passando mais, e mais... e já não era tão necessário pensar, falar , ouvir. O tempo foi passando...  foi negando no presente, o passado. Ela foi construindo histórias e segredos, foi compartilhando o que dava e foi colando páginas! Foi ficando cada vez mais distante, com o olhar mais triste, e a alma mais despedaçada... Foi ficando estranha, estranha... distante... distante...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Verônica- III

Verônica habituava-se a amores relâmpagos, tão perigosos quanto as efêmeras paixões! Na verdade, não havia muita diferença entre um e outra, mas preferia assim chamar, porque o amor tem o dom de se perpetuar no tempo, esses amores, na memória... deles sobraram apenas algumas reminiscências, vez outra, o telefone...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Verônica- II

Acontece que a solidão também assusta Verônica, que é dessas que anda por aí a armar-se de si mesmo, de erguer o queixo, e sentir o desmoronar de dentro.
Mas, aquela solidão, refletia a ausência dele... daqueles seus momentos... via-se a rolar pelos cantos, a roçar de leve os dedos por sua nuca... achava agora, na lembrança, as brigas tolas engraçadas.. isso não via antes!
A ausência tem dessas coisas, tornar aqueles momentos de reflexos extintivos, em lembranças bobas, em tarde de veraneios a dois. Como se pudesse, depois daquela partida, trazê-lo presente lá, naquela sala, naquele sofá...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Verônica- I

Parou diante da porta, cismando...
Com o corpo aparado no vão e uma das mãos na cintura, olhou fixamente um ponto qualquer do quarto e sentiu invadir-lhe toda a sua solidão
Já não haviam dois suspiros pelos ares, nem nada em par
Era aquele primeiro algarismo, tão unico, tão só, tão primeiro, e não cogitava possibilidades...
Estava só, repetia-se... e no instante seguinte, também o estaria.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Faça-se a luz!

                                                       E a luz se fez nos olhos...

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ESPECTRO

E agora quem és?
Nem o espelho te reconhece agora
De tanto revirar-se encontrou um avesso
Nem tão bom, nem tão pior
Mas nem eu te reconheço mulher!

Que fizeste contigo?
Nem mesmo perambulante
Foste te encontrar
De tanto procurar-se,
Destempero impetuoso,
Não quiseste nem tu te suportar

E agora mulher, que faço contigo?
Que usurpa a mim descaradamente
Me segue feito sombra
Se sois o que também sou
E a ti também rejeito!