O tempo chegou antes da idade
Estava traçado no rosto
Na experiência das mãos
Na fala arrastada
No corpo fadigado
A idade chegou antes do tempo
Na moderação dos gestos e das palavras
Na ranzinzice dos ouvidos
Nos dias mal passados
Na solidão de todos os dias!
Páginas
"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Notas de desconcertos cismados
" Nada do que fomos vai sobreviver" - Roberto Carlos
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Da fragrância... do mês...
Esse Agosto teve seu cheiro.. desde o primeiro dia! Cheirou a verso, cheirou a chuva, a terra molhada, a céu, a lágrima... Cheirou a festa, a risos, a doces, a carinho, a carência, a desentendimento, cheirou a solidão... Cheirou a palavras escapulidas, cheirou a silêncio, cheirou a guerra e a paz... Cheirou a outras brigas, outras divergências, mais lágrimas... Cheirou a outros infernos, mais solidão... A noite sem estrela, mês sem lua cheia, cheirou a chocolate mais amargo, cheirou a outros soluços, a flores espalhadas no quarto, cheirou a despedida, a dor... E com tanto tempo enfiado dentro daquele relógio, e a gente tão sem tempo... Cheirou a fim!
terça-feira, 31 de maio de 2011
Motim
Hoje trago meus humores, meus incêndios!
Meu corpo inflama a minha fé
E reflete minhas vigílias
Da retina à força
Do impulso à continência
Como se houvesse o que falta em mim
Hoje trago minha temperança afobada!
Meu tempo submisso
Um tempero a contragosto
E aquela lágrima serpeando um espaço
Procurando a luz dos meus olhos
E embaçando o que vejo
O dia tá cinza lá fora
A noite, agitada aqui dentro!
domingo, 29 de maio de 2011
Conselhos a um insone
Abandone o corpo e a luz uns instantes
Deixe-se estar!
Assim...
Deixa o som ou o silêncio chegar aos ouvidos
E vai se deixando mais...
Deixa adentrar!
Deixa não pensar!
Deixe-se largar!
Depois adormece...
Quando acordar.. passa!
Deixe-se estar!
Assim...
Deixa o som ou o silêncio chegar aos ouvidos
E vai se deixando mais...
Deixa adentrar!
Deixa não pensar!
Deixe-se largar!
Depois adormece...
Quando acordar.. passa!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Procura-se Vivo ou morto: Tempo
Havia muito tempo espalhado pela casa, em todos os lugares, onde quer que se olhasse, lá estava ele, imperioso, precavido, como que não faz nada. Tempo comum, tempo simples, tempo morto, em todas as suas formas, com ou sem beleza. Vagava no ar, suspenso e passante, como que morria, como nem nascera. Fiz arte com o tempo, como se possa imaginar, e anexei na casa, prendi em vários lugares para que não fugisse, não escapasse, como se eu pudesse e controlasse. E assim foi. Quando me apercebi , já estava sem tempo de novo! Esgorregou de minhas mãos, como já havia de ser, antes mesmo que fosse.
Eu queria um tempo bem grande, tão grande que eu coubesse nele, e não mais precisasse caber em mim. Nele coubesse tudo que eu sinto, tudo que eu vejo, e eu pudesse sentir mais, ver mais. Queria todo tempo, pelo tempo que eu quisesse, até não querer mais nada e procurar outro tempo noutro lugar, noutro espaço, noutro momento, até não ter mais lume em nenhuma estrela , nem em mim. Até adormecer a ultima quimera e não querer nenhum tempo nem o que não está em mim!segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Náufrago
Nada se confunde com o áspero pensamento
Cada palavra repetida Torna-se única
Ainda que mil vez silenciada
O nó na garganta
O apelo da consciência
O arrepio conseqüente da lembrança
A própria tentação alojada
No mais secreto coração
O falso riso
Cada enternecer
O adoecer
O amor
Daisy Araújo.
Cada palavra repetida Torna-se única
Ainda que mil vez silenciada
O nó na garganta
O apelo da consciência
O arrepio conseqüente da lembrança
A própria tentação alojada
No mais secreto coração
O falso riso
Cada enternecer
O adoecer
O amor
Daisy Araújo.
domingo, 31 de outubro de 2010
Estro
Há algum tempo e rondava esperançosa,girava em torno de mim, engraçando-se.Risonha, fitava-me e não havia nenhum tempo que me permitisse acentuá-la.
Eis que para os devidos fins, me propus trocar a ampulheta que segurava ou segurava-me ela( o que é mais provável).
Procurei a areia mais grossa pra que passasse mais devagar pelo estreito entre o que passou e o que virá. Procurei uma que, se quebrada, seus estilhaços não causassem tanto estrago.Bastava-me os que a outra causará,e foi inevitável, afinal, vivi!
Os estilhaços tocaram ferindo-me.E há de se confessar: marcaram o corpo, e tatuaram a memória...
Pois bem, uma a uma vieram-me as palavras que vos escrevo, expelidas diretamente de um coração, numa psicografia do que ainda não morreu, mas também não está tão vigoroso
Moribundo...Palpita! Palpita...e palpita!
Dizem que é questão de tempo, uma hora para!
Enquanto isso...
Abre aspas!
Daisy Araújo.
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