"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Do sossego

Sossego é estar envolvida em teus braços
No silêncio de nos dois
Em qualquer nosso tempo
Num espaço que nos caiba

Sossego é receber seu abraço calmo
Sentir o toque de seus dedos passeando em meu corpo
Ver seus olhos repousando em mim
Sorrir com seu sorriso

Sossego é acordar com seu afeto bagunçando meu cabelo
É quando você segura firme minha cintura e me guia pelas ruas da cidade esquecida
Quando sua mão rouba o ar da minha
Quando perco o fôlego no hálito teu


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Da paz dos meus dias...

- Quando vi você, vi seus olhos iguais aos meus
- Eu vi, à porta de um desconhecido, um mundo de possibilidades...


Fez do tempo pouco, e qualquer distância muita
Fez dela casa, e os dias todos...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dos dias...

Eu olho pra minha mãos nuas
Sedentas do corpo teu
Esperando seus olhos breu
Se enterrarem em mim

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao pó que da sombra se fez!


Esteve inundada com os sentimentos do mundo e não cabiam todos nela. Se deparou com as velhas perguntas sem respostas e o modo desprecavido como caiu na vida... quase só, quase sem ninguém! Se  apresentou as frustrações antigas, e todos os sins não vividos.. .

Aprendeu cedo, que se havia um meio de filtrar a vida, era deixando-a se esvair pelas veias... permitindo que escapasse ao corpo, às vezes aos olhos, a alma não!
 Deixou então o sentimento escoar pela caneta, gota a gota... E pensou que conseguia ser. Pensou na eternidade de sentimentos que  evaporam do corpo, que transpassam a lacuna do tempo e tomaram o pretérito por seu...

Permitiu que fosse, concedeu-se a queda, o grito, o desespero, a crise, retornou ao caos que sempre fora sua essência, regressou ao torpor de lágrimas, ao pranto, a dor, o ser, o só! Depois soluçou...

Há pouco mais de um mês, não encontrava sua sombra...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Da fragrância... do mês...

Esse Agosto teve seu cheiro.. desde o primeiro dia! Cheirou a verso, cheirou a chuva, a terra molhada, a céu, a lágrima... Cheirou a festa, a risos, a doces, a carinho, a carência, a desentendimento, cheirou a solidão... Cheirou a palavras escapulidas, cheirou a silêncio, cheirou a guerra e a paz... Cheirou a outras brigas, outras divergências, mais lágrimas... Cheirou a outros infernos, mais solidão... A noite sem estrela, mês sem lua cheia, cheirou a chocolate mais amargo, cheirou a outros soluços, a flores espalhadas no quarto, cheirou a despedida, a dor... E com tanto tempo enfiado dentro daquele relógio, e a gente tão sem tempo... Cheirou a fim!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Motim

Hoje trago meus humores, meus incêndios!
Meu corpo inflama a minha fé
E reflete minhas vigílias
Da retina à força
Do impulso à continência
Como se houvesse o que falta em mim

Hoje trago minha temperança afobada!
Meu tempo submisso
Um tempero a contragosto
E aquela lágrima serpeando um espaço
Procurando a luz dos meus olhos
E embaçando o que vejo

O dia tá cinza lá fora
A noite, agitada aqui dentro!

terça-feira, 15 de março de 2011

Reminiscências...




Palpitou o coração! Haveis de se admirar com o tempo, que mesmo passando, não passou! O enternecer de cada palavra postada sem metades meteram-se adentro da alma, revigorando o pó que ali já jazia! Como tributo ao que se foi, ainda que não passado, dedico ao leitor cada palavra que segue: se te arrastar paixão igual, não esconda-a no peito, lhe roube o coração, o ar das mãos e trague seus lábios... Faça-se par!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ler-se coração!



Naturalmente cada linha segue

Os olhos não piscam
Nem se aliviam do poema

Se encantam em cada verso rápido
Se desgastam em cada lembrança
Ou se admiram pela rima
Pelo espaço..
Abrem lacunas no caminho..

Não fazem força
Chegam e embriagam

Sabe...
Eles ficam!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Do que fica...


E hoje que não há palavras
Deixo o meu silêncio
Um lagrima que corre
E um abraço que fica!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Soneto do fim



Não te preocupas meu bem
Cuidarei para que o mal não te aflija
Hei de velar-te de alguma forma
Da forma que eu puder

Não te preocupas pois
Independente do que aconteça
Ainda te guardarei as costas
Guardarei teus olhos para que não vejas o mal em tudo

Dar ei a ti sempre motivos
Para que se não puderes confiar no mundo
Possas confiar em apenas alguém

Dar-te-ei minha proteção na medida do que se pode
Pelo tempo que permitires, ou ainda meu bem
Enquanto a Era Glacial de tuas teorias não paralisar-me os músculos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Do Sonho

A vida é tudo isso
E tudo isso é essa constante fuga...

A manhã fez-se lenta e amarga
E ainda que todos lembrassem
para a sua felicidade
Desejava esquecer

Morria sempre
E sempre é cada dia
Se despia em cada linha

E os rastros que o tempo praguejara
traziam-na de volta a vida
para morrer mais uma vez

cada verso exposto
um sentimento parido
escreve para depois queimar

Daisy Araújo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Insônia

O sal da língua ainda é quente
O céu é  o mesmo de outrora
A ampulheta se inverteu
No peito há também vazio

A saudade do que virá
A nostalgia do que não foi
O perfume dos cabelos emaranhados
E a tristeza aguda

Pulsante o pulso
O corpo não
Apenas uma chama...

O pesar do maldito tempo sob os ombros
Uma brisa levíssima, um arrepio...
Nenhuma luz, nem café
Pó? Só dos sentimentos

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma rosa por seu pensamento...

Ainda sem a rosa em mãos
Revelo o pensamento
E somente em parte
Para que não se saiba do mistério
Não se perca as reticências
Nem a imaginação
Revelo-o simples e leve,
Como a brisa que toca o rosto
Nas noites mansas de verão
Embora na alma traga o frio
E a agonia das madrugadas gélidas
Embora traga as noites de domingo
E os quês de solidão
Um mundo nas costas
E alguma razão
Traga entre os dedos a mão pequena
Que a infância deixou
(se traga!)
Sabe...
Eis meu pensamento,
E hoje se chama saudade!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Vital





O sabor da saliva e do céu
Precipitou  a dor da solidão
A alma não teceu verso algum
Não expulsou do peito a canção
O sangue pulsou na veia
A farsa despencou do décimo sexto
Amorticídio...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Náufrago




Nada se confunde com o áspero pensamento
Cada palavra repetida Torna-se única
Ainda que mil vez silenciada

O nó na garganta
O apelo da consciência
O arrepio conseqüente da lembrança

A própria tentação alojada
No mais secreto coração
O falso riso

Cada enternecer
O adoecer
O amor


Daisy Araújo.

Carreata da [não] fantasia


A poesia por um motivo qualquer
morreu temporariamente
assim como a balada da última noite de festa
não festiva
O fim do ciclo foi declarado
Estabelecido com o silêncio sempre constante
O espaço vago engoliu a última lagrima
À saboreou
Nada sobrou além do vazio
O titã da saudade e da espera...
As palavras libertas ao vento
Ao acaso e ao descaso
foram recolhidas para possível confinamento
Este, sem monitoramento,
regulamento ou intenção
Devem se perder no abismo do infinito
Da canção calada dentro da mente
Assim, com o desequilíbrio
Hão de se quebrar e se perder
O equilíbrio inevitável que trás o real, incomoda
Assusta...
Abusa e se lambuza
Na escuridão do infinito a qual o corpo esta entregue
E só a isso o corpo se entrega
Não dá mais pra fugir de si
Alcatraz sem fim
Como sempre metade
E como ilha... só !
Daisy Araújo

domingo, 31 de outubro de 2010

Estro




Há algum tempo e rondava esperançosa,girava em torno de mim, engraçando-se.Risonha, fitava-me e não havia nenhum tempo que me permitisse acentuá-la.

Eis que para os devidos fins, me propus trocar a ampulheta que segurava ou segurava-me ela( o que é mais provável).
Procurei a areia mais grossa pra que passasse mais devagar pelo estreito entre o que passou e o que virá. Procurei uma que, se quebrada, seus estilhaços não causassem tanto estrago.Bastava-me os que a outra causará,e foi inevitável, afinal, vivi!

Os estilhaços tocaram ferindo-me.E há de se confessar: marcaram o corpo, e tatuaram a memória...

Pois bem, uma a uma vieram-me as palavras que vos escrevo, expelidas diretamente de um coração, numa psicografia do que ainda não morreu, mas também não está tão vigoroso

Moribundo...Palpita! Palpita...e palpita!
Dizem que é questão de tempo, uma hora para!
Enquanto isso...
Abre aspas!


Daisy Araújo.