"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

sábado, 31 de março de 2012

Insulso

Tenho me escondido atrás da saudade
Brincado com o tempo ( que é ainda muito menino)
Buscado pores de sol dentro da alma
Procurado luas nos olhares
Contado estrelas e sono
Me perdido nas esquinas da lucidez
Cantado mágoas
Sentido sua ausência
Tenho perdido você!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Ausência - Vinícius de Moraes

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho desta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,a tua voz ausente, a tua voz serenizada



















* Poesia de quem parte...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Da paz dos meus dias...

- Quando vi você, vi seus olhos iguais aos meus
- Eu vi, à porta de um desconhecido, um mundo de possibilidades...


Fez do tempo pouco, e qualquer distância muita
Fez dela casa, e os dias todos...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dos dias...

Eu olho pra minha mãos nuas
Sedentas do corpo teu
Esperando seus olhos breu
Se enterrarem em mim

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ao pó que da sombra se fez!


Esteve inundada com os sentimentos do mundo e não cabiam todos nela. Se deparou com as velhas perguntas sem respostas e o modo desprecavido como caiu na vida... quase só, quase sem ninguém! Se  apresentou as frustrações antigas, e todos os sins não vividos.. .

Aprendeu cedo, que se havia um meio de filtrar a vida, era deixando-a se esvair pelas veias... permitindo que escapasse ao corpo, às vezes aos olhos, a alma não!
 Deixou então o sentimento escoar pela caneta, gota a gota... E pensou que conseguia ser. Pensou na eternidade de sentimentos que  evaporam do corpo, que transpassam a lacuna do tempo e tomaram o pretérito por seu...

Permitiu que fosse, concedeu-se a queda, o grito, o desespero, a crise, retornou ao caos que sempre fora sua essência, regressou ao torpor de lágrimas, ao pranto, a dor, o ser, o só! Depois soluçou...

Há pouco mais de um mês, não encontrava sua sombra...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carta à embriaguez

 Retirado do blog de Erika Azzevedo - http://palavrearintenso.blogspot.com.html
Boa lua cheia senhora noite!

Boa minha luz, senhora embriaguez! Escrevo-lhe porque se hoje me apareceste, me tens e eu a ti! E hoje,  diante de quaisquer olhos não me encontraria mais viva, mais amante, mais "mim"!  Lhe escrevo, porque no fundo neste olhos amargos podes encontrar a pseudo felicidade, que somente  ébrios podem dispor! Hoje lhe escrevo sem razão, porque nesta noite de lua cheia me finjo feliz! Me sinto e me nego ! E gosto mais de mim que quaisquer outros dias! Relato a insensatez de você, porque nunca me senti mais lúcida que o instante agora... Eu vejo tudo aquilo que o álcool proporciona... Vejo pessoas felizes,  vejo pessoas mais elas... eu vejo mais mentira em tudo e que tudo, inclusive o álcool é uma grande mentira! Vejo tudo que surto e  vos agradeço o bem estar passageiro!

Erga-se mais um brinde, desta vez aos ébrios, nunca tão lúcidos!

Com amor e para sempre tua...

Amante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Luto III

Já o espreitava, e nem sabia
Não tinha tempo para pensa-la
Lá estava ela, olhando.. olhando...
cercando-o...

Foi na manhã de sexta-feira
Como quem nada quer
Ela foi se acomodando
Ele, vestindo-se dela
até o último suspiro

Vestiu a morte sem anúncio
O sábado cheirou a luto!