"Cansados da eterna luta por abrir um caminho pela matéria bruta, escolhemos outro caminho e nos lançamos, apressados, aos braços do infinito. Mergulhamos em nós mesmos e criamos um novo mundo."- Henrik Steffens

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Verônica- I

Parou diante da porta, cismando...
Com o corpo aparado no vão e uma das mãos na cintura, olhou fixamente um ponto qualquer do quarto e sentiu invadir-lhe toda a sua solidão
Já não haviam dois suspiros pelos ares, nem nada em par
Era aquele primeiro algarismo, tão unico, tão só, tão primeiro, e não cogitava possibilidades...
Estava só, repetia-se... e no instante seguinte, também o estaria.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Motim

Hoje trago meus humores, meus incêndios!
Meu corpo inflama a minha fé
E reflete minhas vigílias
Da retina à força
Do impulso à continência
Como se houvesse o que falta em mim

Hoje trago minha temperança afobada!
Meu tempo submisso
Um tempero a contragosto
E aquela lágrima serpeando um espaço
Procurando a luz dos meus olhos
E embaçando o que vejo

O dia tá cinza lá fora
A noite, agitada aqui dentro!

domingo, 29 de maio de 2011

Conselhos a um insone

Abandone o corpo e a luz uns instantes
Deixe-se estar!
Assim...
Deixa o som ou o silêncio chegar aos ouvidos
E vai se deixando mais...
Deixa adentrar!
Deixa não pensar!
Deixe-se largar!
Depois adormece...
Quando acordar.. passa!

domingo, 15 de maio de 2011

Mal[amado]!

Nasceu Velho aquele amor! 
Mal respirou e parecia cansado, ranzinza... fraco! 
Nasceu sem ser amado, e com muita intimidade! 
Mãos que se atracam, cabeças que repousam, colo... e nada bastava-lhe! 
Tinha fome de desejo...
Os encontros roubavam-lhe tempo, mas nem sabiam...

domingo, 17 de abril de 2011

Aqueles olhos...

Eu não saberia explicar o que foram aqueles olhos ... Eles chegaram doces e intensos desde o primeiro olhar! E falaram do sorriso e aí sorrimos juntos, e sentimos os labios num lampejo, quando não nos viamos ,só sentimos, penetraram  minh'alma e foram se fazendo em mim, e de mim o que bem quiseram, e quiseram muito! E me saquearam o coração, e se mantiveram fixos dentro de meus olhos. E se fizeram paixão,  se fizeram sonho, entardecer, colo, nuvem, sentimento... Se fizeram encanto, fantasia e do tempo, pó ! E todo tempo... pouco! Aí, partiram... e fizeram falta!

sábado, 2 de abril de 2011

I

Café gelado à mesa
Coração posto em bandeja
Que me tomem numa colher de sopa
Pois eis que já não há razão

Tome para si as verdades minhas
Mas não acredite em todas elas
Há sempre riscos ...
Vez outra, lê-se errado!

terça-feira, 15 de março de 2011

Reminiscências...




Palpitou o coração! Haveis de se admirar com o tempo, que mesmo passando, não passou! O enternecer de cada palavra postada sem metades meteram-se adentro da alma, revigorando o pó que ali já jazia! Como tributo ao que se foi, ainda que não passado, dedico ao leitor cada palavra que segue: se te arrastar paixão igual, não esconda-a no peito, lhe roube o coração, o ar das mãos e trague seus lábios... Faça-se par!

segunda-feira, 7 de março de 2011

Despedida




Meu tão bem que me faz
Vou lá fora vê o mundo
Meu corpo transpira por todos os poros rua


Guarde um sonho bom pra mim

Que volto logo

Antes que amanheça n'outro carnaval